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 Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth

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AutorMensagem
Katheryna P.S.Smitt
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Qui Maio 24, 2012 8:30 am

uhuuun.... posta mais G tou anciosa jáa
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Luke K. Foster
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Qui Maio 24, 2012 12:57 pm

G, ótima fic! Já li os dois primeiros capítulo e depois leio o resto, mas pelo que li até agora está ótima!
Você escreve muito bem, parabéns. (:
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G. C. Volturi
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Qui Maio 24, 2012 1:05 pm

Valeu Luke, que bom que gostou. É baseada nos velhos tempos. xD
Bem, aí vai mais um. O menor capítulo ever, mas ok.

___

Imprevisto

Era fim de tarde quando o avião pousou no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, ou Galeão. Estava ensolarado pelo que eu via nas outras janelas. A minha veio a viagem toda fechada e como primeira classe nunca lota nesses vôos, eu não tinha ninguém do meu lado para reclamar.

No saguão, senti logo o cheiro conhecido da minha espécie. Um pouco à frente, acenando, estava Ricardo, ao lado de Joana, sua parceira. Não era um vampiro muito alto, de cabelos castanhos escuros e sorriso simpático. Ela era da minha altura, talvez um pouco mais alta, cabelos encaracolados e negros.

Abracei os dois. Não era comum estar entre amigos, visto que a lista não era muito grande. O maior sinal de amizade possível para nossa espécie era um abraço, porque era tão contra nossos instintos mais básicos entrar na área mais forte de outro vampiro que só se fazia isso quando confiava quase que totalmente no outro. Mas esses eram um dos poucos que eu podia me desligar quando estava por perto.

–Andou sumida, dona. Pensei que não ia aparecer nunca mais! – Disse Ricardo, sorridente como de costume.

–Ao contrário de você, eu sou uma pessoa ocupada, sabe...

–Eu juro que tentei convence-lo de que você não estava sem entrar em contato porque era má e impiedosa. – Joana riu quando Ricardo bufou.

–Pelo menos alguém aqui me defende. Onde estão os outros dois?

–Estacionando o carro, vamos andando.

–Bem, espero que você tenha uma boa programação, aqui é um dos territórios mais não-vampiro que eu conheço. – Eu brinquei enquanto andávamos para fora do aeroporto. Eles trocaram um olhar tenso meio que disfarçado, mas eu percebi. Acho que não seria uma simples visita. – O que foi?

Ricardo gemeu, não era para eu ter percebido. Eles ainda não tinham aprendido que essas coisas eu não deixava passar.

–Depois que você se instalar direito, precisamos conversar. Por isso pedi para você vir aqui, mas não quis te alarmar.

Ótimo trabalho não querendo me alarmar, muito obrigada mesmo. Ignorei isso quando encontramos Márcio e Cristina, o outro casal do clã. Márcio era bem alto com cabelos extremamente escuros, fazendo contraste com a pele. Cristina era baixa, a mais baixa do clã, cabelos castanhos escuros e muito bonita, mesmo para a espécie. Também eram ótimas pessoas, e ri um pouco enquanto conversávamos no carro.

A casa deles era na Barra da Tijuca, perto da Avenida Airton Senna, uma área um pouco isolada, em uma casa que tinha acesso por uma estradinha de terra meio que disfarçada. Logo, a casa impossível de se ver à distância surgiu. Não era muito diferente da minha em Forks, só que era bem mais aberta e clara e perfeitamente adaptada à vegetação, parecendo pertencer ao lugar desde sempre.

Por dentro, todos os cômodos eram muito confortáveis e modernos, ao contrário de mim, eles não gostavam muito de coisas tradicionais. O microondas intocado na cozinha era a prova disso. Na minha só tinha uma geladeira desligada, um fogão, uma pia, mesa e armários, mas a lista de eletrodomésticos deles era algo meio grande demais, tinha coisa que eu nem sabia para que servia.

Eles me levaram a uma suíte, aonde pude largar a minha mala e tomar um banho para tirar o cheiro de humano do corpo. Desci assim que me arrumei para encontra-los novamente na sala.

–Sabe, comprar uma roupa de uma cor que não seja preto. Branco é legal, verde, amarelo...

Ignorei. Eu tinha meus motivos para só usar preto. Ao pensar nisso, minha toquei discretamente no anel que eu usava na mão esquerda. Afastei algumas memórias quando me sentei no sofá.

–Então, o que vocês querem falar comigo?

Os quatro se olharam rapidamente, então Márcio começou.

–Nós te pedimos para vir aqui para isso. Esperávamos que você viesse com o resto do clã.

–Eu não podia deixar o território desocupado no momento, tive que deixa-los lá.

–Um vampiro entrou nas nossas terras e veio até nós. – Continuou Ricardo. – Ele começou tentando nos convencer de que você estava planejando uma espécie de holocausto. Todos aqueles que um dia desobedeceram a mais insignificante regra iriam ser perseguidos até a morte, e você estaria montando um exército para isso. Isso é verdade?

–Claro que não! Eu nunca faria algo assim, é normal alguns deslizes de vez em quando, eu nunca criaria uma carnificina por algo tão besta. Vocês não podem ter acreditado nisso! Conhecem bem quais são as infrações mortais.

–Não acreditamos porque te conhecemos. Mas... Giuliet, ele é bem convincente, tem ótimos argumentos.

–Ótimos argumentos? Como alguém tem ótimos argumentos de algo que não é nem um pouco verdade?

–Ele usa o fato de vocês não terem aparecido muito nos últimos anos e de permanecerem apenas por dez anos no mesmo lugar. Segundo ele, é o tempo perfeito para criar vários novos vampiros e transforma-los em máquinas de guerra.

–Não me convenceria.

–Você não ouviu ele falando. Ele se parece muito com você falando quando quer levar um grupo para uma batalha, sério. Se bem que, olhando bem... – Cristina parou no meio da frase, me encarando como se tivesse descoberto algo que não estava em mim cinco segundos atrás.

–O que foi?

–É que por um momento... não, nada.

–Tem mais uma coisa. – Continuou Ricardo, me distraindo do momento estranho. – Quando nós questionamos como ele pretendia te vencer, que muitos haviam tentado formar exércitos antes e falharam, ele disse que tinha um elemento surpresa, algo que você teria dificuldades para lidar. Ele disse que tinha uma coisa que você não gostaria de abrir mão, uma coisa tão importante que você faria de tudo para ter novamente. Você faz alguma idéia do que seria?

Pensei por um instante. Nada material poderia me fazer ter essa reação, não pude pensar em nada mesmo.

–Não faço a menor idéia. Qual o nome desse infeliz?

–Ele disse que era Michael Carter. Mas provavelmente estava usando um nome falso.

–Agora a pergunta que não quer calar: por que vocês deixaram ele ir embora?

–Aí está a parte mais estranha. – Ah, claro, a parte mais estranha ainda estava por vir, que bom. – Quando armamos o bote para prende-lo, não conseguimos mover nem mais um passo. Ficou tudo escuro, não conseguíamos enxergar, e ele era muito bom para se perseguir sem a visão. Quando voltou, ele estava longe demais para se alcançar. Tudo que conseguimos descobrir é que ele estava indo para o Norte antes do rastro se perder quase na Bahia.

Recostei no sofá, suspirando. Tudo que eu não precisava agora era uma revolução feita por um maluco desconhecido. Eram nesses momentos que eu sentia falta do tempo em que tudo era tão fácil, mesmo amaldiçoada eu ria sem me preocupar se o riso não estava alto demais e algum inimigo me ouvisse. Mas esses tempos pareciam tão distantes, uma outra vida. Senti meu peito apertar. Aquele pressentimento, o mesmo que me fizera voltar para os lobos um mês antes, me dizia que não era um inimigo aleatório. E lá eu iria, colocar meu clã, minha família, as únicas pessoas que me restavam, em perigo novamente.

–Obrigada por me avisarem. Acho que nunca vou poder agradecer o que vocês fazem por mim às vezes.

–Claro que pode! Ficando conosco durante essa semana até a data do seu vôo.

–Desculpa Ricardo, mas eu não estou indo de avião para casa. Há algum lugar aqui perto onde eu possa alugar um carro?

–Carro?

–Eu vou voltar para casa em terra. Talvez eu ache algum vestígio de alguma coisa sobre esse tal Michael. Não posso ficar parada, tem uma revolta se formando.

–Droga, Giuliet! Deveríamos ter te contado isso no final da viagem.

–Vocês fizeram bem. Me desculpem, mesmo, eu adoraria ficar mais um tempo. Prometo que assim que puder eu apareço.

–Você acabou de chegar.

–Sinto muito.

Busquei minhas coisas e me despedi deles, realmente triste de ter que ir embora. De uma hora para outra a casa pareceu tão acolhedora que eu precisei me convencer de que era realmente o melhor, mesmo sendo tão óbvio de que era mesmo o melhor. Eu não conseguiria lidar com a idéia de que eu estava me divertindo em uma cidade tropical enquanto meu clã poderia ser atacado a qualquer momento. Márcio se ofereceu para me levar até um aluguel de carros, mas disse que não, eu precisava ficar sozinha para planejar o que eu faria. Caminhei o caminho todo até o primeiro centro de qualquer bairro que encontrei, por sorte era um grande, e depois de perguntar um pouco, consegui chegar em uma loja de aluguel de carros, que já quase fechava. Com pressa de ir embora logo, o atendente rapidamente me entregou o carro e fez todos os procedimentos. Meia hora depois, já estava dirigindo pelo lugar, em direção ao norte, com janelas abertas, atenta a qualquer cheiro diferente do comum. Peguei o celular e disquei.

–Giuliet?

–Hecate, está tudo bem por aí? –Minha voz saiu mais nervosa do que eu queria.

–Tudo, claro. O que aconteceu?

–Explico quando chegar, estou indo para casa.

–Que horas chega o seu vôo.

–Não vou de avião. Vou por terra, no máximo em cinco dias estou aí.

–Mas...

–Presta atenção em qualquer coisa estranha e se prepare para um ataque. Pouco provável que já venha a acontecer, mas vigilância nunca é demais.

–Espera...

Desliguei o celular, para que ela não retornasse. Ordens dadas, sem explicações.

Com as mãos no volante, voltei a encarar o anel. Aquele anel era provavelmente mais velho que o país que eu estava, e o valor comercial dele não era nem um pouco baixo. O problema era que o valor sentimental também era um tanto alto. Era de prata, exceto pela rubi perfeitamente lisa acima, com um símbolo preto no meio, em ônix. Um trabalho complicado de se realizar e raro de se ver atualmente. O desenho era o símbolo da família Volturi, a original, italiana e humana. Ele não era meu originalmente, mas acabei herdando. Por vezes, eu olhava para aquele anel e me lembrava de coisas antigas, que faziam parte daquela outra vida, quando eu era livre e sem problemas e não sabia disso. A minha vida antes de fazer parte da única revolução bem sucedida em quase setecentos anos. A minha vida antes de virar uma Volturi.





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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Qui Maio 24, 2012 1:26 pm

Nossa é uma pequena,Ganha da minha grande Lol, muito boa fic
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Rafael D. Michelângelo
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Qui Maio 24, 2012 7:34 pm

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH \000000000000000000000000000000000000000/
*–O que você quer? – Ele perguntou, a voz rouca.

–Falar com ela, já disse.

–Deixa que eu resolvo, Rafa. * viram???viram?? sou eeeeeeeeeeeuuu *--* \000000000/

(siiiiiiiiimm,ganhou váarios pontinhos comiigo,dona Guiguiii u.ú xDDD *zooooaa *ée,devem servir pra alguma coisa num futuro próximooo u.ú xDDD* )

ee sério,muuito,muuito boa mesmo ^^ amandor reler,G *--*
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G. C. Volturi
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sex Maio 25, 2012 1:29 pm

É, Rafa, é você, lol. HSASHASUHASUHAS'
___

A Capital - 1567

1567. Setenta anos de idade completos, contando com os dezenove humanos. Vampira, nômade, sem a menor importância no mundo, tendo passado os últimos dois anos na Grécia tendo que ser ensinada a usar o próprio poder. Simplesmente patético.

Assim era a minha vida. Os últimos cinqüenta e um anos haviam passado tão lentamente que me pareciam cem. Era sempre a mesma coisa, andar, andar mais um pouco, caçar, matar, encontrar um vampiro perdido, passar desapercebida ou entrar em um problema, acionar meu poder sem querer e depois de me livrar do meu problema ficar horas a fio parada tentando acionar de novo, sem sucesso. Por isso que dois anos antes, quando conheci Kratos, um vampiro alto demais, fortão demais, irritante demais, de dois mil anos – o mais velho que eu conhecia – mas que tinha um poder totalmente inútil para ele, mas surpreendentemente útil para o resto da espécie. Ele podia identificar o poder, fosse ele de qualquer tipo, e saberia exatamente como funciona. Ainda tinha o fato de ser meio bipolar, em um momento:

–Não se estresse Giuliet, seu poder é realmente muito complexo e forte. Um dos mais fortes que eu já vi. É comum ter problemas para dominar poderes dessa dimensão.

No momento seguinte:

–Ah, quase setenta anos e tudo que você tem é fumaça? Pode trabalhar em um teatro fazendo efeito de névoa, no máximo!

E assim foi, até que eu consegui apagar ele e fiquei alguns dias me vingando dele com essa informação. Quando finalmente fui embora, ele me deu uma informação importante.

–Você não precisa ficar andando por aí perdida. Nosso governante vive na Rússia, em um lugar altamente isolado. É uma espécie de cidade vampira lá, não muito grande, mas a maior que temos. Chamamos de “A Capital”, nada criativo, mas não é minha culpa. Poucos vampiros novos sabem da existência dela. – Ele me entregou um papel. – Chegando lá, procure por Salazar, e entregue isso à ele. Diga que foi Kratos quem mandou. Ele vai te dar um lugar para ficar. Um pouco de civilização não vai fazer mal à ninguém.

Depois de me passar as coordenadas de onde ficava o lugar, achei uma boa idéia rumar para lá. Algo me dizia que eu deveria ir, como se algo maravilhoso me esperasse lá. Só mais um daqueles sentimentos malucos que nós temos de vez em quando. Bem, isso era o que eu acreditava na época, mas o “sexto sentido” sempre esteve lá, de qualquer forma.

Custei um pouco para encontrar o lugar, mas quando encontrei, fique impressionada. Era em um ponto tão frio da Rússia que nenhum humano naqueles tempos ousaria viver. Tinha umas duzentas casas espalhadas, cada uma com um estilo de uma região do mundo. Até mesmo algo coberto de neve que lembrava muito uma tenda beduína. E no centro, algo que só provava que os vampiros eram os humanos evoluídos em tudo. Tudo mesmo, até a necessidade de se mostrar superior aos outros. Havia no centro um castelo, não muito grande, mas não deixava de ser um castelo. Todo de pedra, imponente, o dono daquilo deveria se sentir totalmente no controle. Aí eu lembrei que o dono daquilo era o governante e me dei conta de que ele realmente estava no controle. Comecei a entrar na cidade quando ouvi uma voz próxima de mim, na minha direita.

–Posso ajuda-la? – Disse o sotaque italiano do meu lado, em inglês.

Me virei rápido, não havia percebido a presença dele, já que estava altamente distraída. Era um vampiro mais alto do que eu uns dez centímetros, nem magro, nem forte demais, de cabelos loiros e, mesmo não o conhecendo, eu podia apostar que eram verdes na sua época humana, combinava bem demais. Não devia ter mais do que vinte e cinco anos quando foi transformado. Ele sorria, e me pareceu que sorria mais do que alguém normal faria. E por mais que ele fosse um total estranho, me parecia ao mesmo tempo familiar, como se eu o conhecesse e não lembrasse. Isso me deixou desconfortável, e para um nômade, desconforto é igual a perigo. Me afastei uns dois passos, pronta para correr se algo acontecesse.

–Não vou te atacar. Você é nova aqui, não? Só quis ajudar, fica tranqüila. – Ele disse, a voz transparecendo inocência, o sorriso bem mais fraco. – Deixe eu me apresentar. Andreas Volturi, passando por aqui quando imaginei que precisasse de ajuda.

Do mesmo jeito que veio, o desconforto foi. Agora eu achava que devia realmente falar com ele.

–Para ser sincera, estou procurando por um Salazar. – O sorriso voltou quase por completo quando comecei a falar. – Você por acaso conheceria?

–Por acaso, sim. Me acompanhe, vou te levar até lá.

O pior disso tudo, eu fui. Podia ser uma armadilha contra invasores, podia ser qualquer coisa que fosse terminar comigo em uma fogueira, mas eu não pensava muito bem nessa época.

Sendo imprudente, mas não a esse ponto, a toda hora eu olhava ao redor, enquanto andava com ele pelas ruas do lugar. Vi alguns vampiros, o cheiro deles estava por toda a parte, mas a maioria parecia estar trancada dentro das casas. Nós não sentimos frios nem ficamos doentes quando expostos ao clima mais pesado, mas não é por isso que gostamos. É bem mais confortável dentro de uma casa confortável.

Demorou um pouco para chegar, e o meu lado sensato já começava a se preocupar. Aonde é que eu estava com a cabeça, mesmo? Ouvir conselhos do Kratos não era a coisa mais saudável do universo. Mas esse lado sentiu um certo alívio quando paramos em frente a uma casa pequena de pedra, de onde saía uma fumaça. Dava para ouvir a lareira lá dentro.

–Ele mora aqui. Meio inconveniente de vez em quando, tente não irritá-lo. E é isso, só bater na porta. Eu tenho que ir agora. Posso saber seu nome?

–Ah... Giuliet. Collins. – Desde quando eu tenho problemas para falar o meu próprio nome.

–Certo. Até mais, então!

Ele se retirou me deixando lá, boquiaberta com o jeito totalmente humano dele agir. Ou talvez eu estivesse tanto tempo afastada de um pouco de civilização que me esqueci como era. Que seja, havia despertado uma curiosidade acerca daquelas pessoas. Antes de bater na porta, ouvi uma voz grossa lá dentro.

–Entre, seja lá quem for.

Abri a porta devagar e entrei, pedindo licença, não havia esquecido completamente os modos. A casa era apertada pelos móveis, tinha uns três cômodos, e precisava de uma limpeza. Havia um vampiro em frente à lareira, que se levantou quando eu entrei.

–O senhor é Salazar?

–Quem você quer, garota?

–Eu... Kratos me mandou aqui. Pediu para eu lhe entregar isso. – Peguei a carta na bolsa que carregava e estendi.

Ele se aproximou para pegar a carta. Fora transformado com idade avançada. Os cabelos eram cinza, com alguns fios já bem brancos, e, mesmo não sendo feio, conservava a maioria das rugas da idade. Os cabelos iam até os ombros e estavam bagunçados.

Leu a carta rapidamente, resmungando algo incompreensível e depois resmungou mais alto um pouco quando terminou de ler, mas não deixou de ser incompreensível. Só consegui entender algo parecido como “ele só me arruma problemas”.

–Ele me pediu para deixar você ficar por aqui. Larga suas tralhas em qualquer lugar por aí e tente não fazer muito barulho.

–Obrigado, senhor. – Eu não estava certa se queria realmente ficar ali, então o agradecimento foi meio falso.

–É, que seja...

Ele voltou para sua lareira e ficou lá, parado, encarando, enquanto eu ficava ali no meio da... do... o que aquele cômodo era mesmo? A bagunça era tanta que eu nem sequer conseguia identificar. Larguei a minha bolsa com alguns pertences e me dirigi à saída, mas antes o vampiro se dirigiu à mim.

–Não saia com nenhum metido a revolucionário. Se você for presa, eu não vou te ajudar.

–E como vou saber quem é metido a revolucionário e quem não é?

–Não falando com ninguém que conviva com Andreas Volturi já é um bom começo. Ou então Lionel King.

Nossa, que animador, já havia começado bem. Dei de ombros, como se não soubesse quem era e saí. Presa? Tinha uma guarda ali? Que ótimo, soldados vampiros devem ser muito gentis...

Kratos havia me metido em uma coisa complicada. Eu sabia das regras em que vivíamos, de como a sociedade funcionava, mas uma cidade assim era algo meio que pouco natural há uma espécie que não gosta de se cruzar normalmente. Minha confirmação de que nem tudo eram flores se deu quando ouvi um barulho de briga em uma espécie de praça que havia ali perto.

Dois vampiros brigavam, falando alto e trocando ofensas. Eu não entendia a língua, mas isso era óbvio. Suas parceiras tentavam segura-los no lugar, vai e vem trocando olhares feios umas com as outras. Ninguém tentava impedir, os que olhavam pareciam ansiosos para um pouco de ação. E a ação aconteceu quando eles conseguiram se desvencilhar das mulheres e se atracaram. Elas gritavam alguma coisa, provavelmente tentando impedi-los, mas é quase impossível sair de uma briga depois que entra nela. As mulheres agora também entraram, mas para tentar afastar os homens, sem sucesso.

Alguém finalmente entrou na história, conseguindo, depois de certo esforço, afastar os dois. Falou baixo com eles, algo que só eles entenderam, e os dois se encolheram, depois de irem cada um para o seu lado, com o rosto irritado. Quando o outro se virou, reconheci. Era Andreas, e assim que pude, saí de perto, para que ele não resolvesse conversar ou algo do tipo. Tarde demais, no último instante ele me vira no meio de um monte de outras pessoas e veio na minha direção. Eu estava levando a sério o conselho de Salazar, até porque eu me sentia estranha perto do Volturi.

–Olá, Giuliet! Como foi com Salazar? – Ele perguntou, caminhando ao meu lado.

–Ele me deixou ficar por lá.

–O conhece de onde?

–Lugar nenhum. Um amigo meu me falou desse lugar e mandou que eu procurasse Salazar.

–E ele falou muito sobre os “pilantras da cidade” para você?

–Para ser sincera, ele falou que eu não deveria andar com nenhum metido a revolucionário.

–Especialmente com um tal de Lionel?

–Como você sabe? – Ele hesitou um tempo, como se tivesse dado um deslize. Refiz a pergunta. – Vocês são famosos por fazer algum tipo de besteira?

–Salazar é meio conservador, não gosta de inovações. Ele acha qualquer um que queira mudar qualquer coisa um verdadeiro bandido. Sabe, lutou muito ao lado de Hugh – Hugh era o governante da época – em algumas guerras, fiel demais.

–E vocês são o partido contrário?

–Por aí. É meio que escondido, ninguém pode se opor à ele aqui na Capital. A maioria das pessoas desconfiam de algo, mas não sabe que formamos uma revolta.

–Como você sabe que eu não vou sair contando isso?

–Primeiro porque você não pode provar, segundo que você não vai.

–Como tem tanta certeza?

–Você não tem cara de quem dedura os outros.

Revirei os olhos. Só faltava eu ser recrutada.

–Não está querendo me recrutar, está? – Perguntei, depois de um tempo.

–Não exatamente. Você parece legal, acho que deve saber o que se passa por aqui. Acho que Salazar não te explicou o sistema, certo?

–Só me falou para não andar com você. Portanto, já estou desrespeitando a primeira regra. – Ele riu, e continuou.

–É tudo muito simples. Se você quer uma roupa, você pede para fazerem. Existem quinze vampiras que fazem isso, é só encomendar o que quiser e esperar para elas te entregarem. Em troca, você deve fazer algo por elas. Pegar lenha, ajudar a tirar a neve da porta, essas coisas. E assim vai com todas as pessoas. Para caçar, a cidade é dividida em dezenove setores. Cada dia é um setor diferente, e cada setor tem um lugar específico para viajar para caçar. Salazar e conseqüentemente você vivem no setor sete e caçam em Moscou. Lembre-se de não deixar vestígios, mas isso você já sabe. Se não tiver aonde esconder o corpo, simule as marcas da Peste Negra.

–Como?

–Peste Negra. Não atinge quase ninguém, mas muito útil se você é um vampiro que pode caçar. Infelizmente, nossas regras quanto à discrição pecam um pouco, então simplesmente espanque o humano antes de mata-lo. Horrível, eu sei, mas é o que o nosso “chefe” – havia um tom de desdém na voz – ensina a fazer. Se você só quiser deixar o corpo em qualquer lugar, não tem problema, mas é o que nós da resistência fazemos. Não queremos expor a espécie, e sabe como os humanos são criativos na hora de inventar lendas.

–Tudo bem, eu consigo fazer isso.

–Ótimo. Bem, vou te deixar andar por aí explorando o lugar. Você pode conhecer o pessoal amanhã, se enturmar, algo assim. Encontre comigo amanhã de manhã naquela mesma praça, combinado.

–Combinado. – Combinado, Giuliet? Você disse “combinado” mesmo? Você não conhece ninguém e já está combinando de sair com gente? Qual o seu problema?

–Certo. Até amanhã.

E foi embora, enquanto eu continuei andando. Eu estava disposta a evitar uma pessoa, e vinte minutos depois eu combino com ela de sair com a turma por aí. Nossa, que genialmente suicida. Enquanto parte do meu cérebro me chamava de idiota, a outra parte estava adorando. Ia ser legal se misturar. Mas tinha a parte da revolta, que eu não queria me envolver. Será que não queria mesmo? A verdade é que, quando Andreas saiu andando, eu quis perguntar aonde eu me alistava.

Quando voltei para a casa naquela noite, Salazar estava no exato mesmo lugar. Sem falar nada, entrei em um cômodo que tinha uma cadeira, me sentei e encarei a janela do outro lado. Uma neve leve caía do céu, se acumulando aos poucos na janela. E ali eu passei a noite, enquanto os dois lados do meu cérebro discutiam.





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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sex Maio 25, 2012 1:35 pm

Melhor fic do mundoooooooooooooooooooo
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Camily J. Conard
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sex Maio 25, 2012 2:13 pm

HA, TANTA COISA ACONTECE AINDA. I don\\'t give a fu
ela acabou de conhecer o Andreas, o inicio :')




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Henrique S.C
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sex Maio 25, 2012 2:43 pm

GGGGGGGGGGGGGGGGG, Essa história já está feita ou você que escreve?
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G. C. Volturi
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sex Maio 25, 2012 2:47 pm

Ela já está feita e fui eu que escrevi. HSJAUHSUASH'
Tipo, ela já está completa, eu só resolvi postar aqui. xD
Postar mais um só por causa disso. xD
E sim, ainda acontece coisa pra caramba. Como, por exemplo, minha noobeza diminuir um pouquinho nos capítulos mais para a frente.

___

Irmãos Volturi- 1567

Antes de amanhecer, ouvi Salazar sair de casa, sem falar nada. Aquela bagunça estava começando a me dar nos nervos e, mesmo sabendo que não era minha casa e que não deveria mexer nas coisas dos outros, comecei a arrumar. Demorou um pouco para imaginar uma arrumação descente, mas em algumas horas as coisas estavam mais no lugar o possível e a sujeira havia sido banida da casa. Até deu para saber que era um quarto, uma sala e um anexo que serviu muito bem para por as tralhas. Agora a casinha até parecia adorável. Voltei para a minha cadeira para espera-lo voltar, não ia sair para encontrar com Andreas sem ter a certeza de que Salazar estava quietinho dentro de casa. O Sol já havia aparecido quando ele entrou, levantou as sobrancelhas, deu de ombros e se sentou novamente em frente à lareira. Tudo bem, eu não ligo de ser ignorada pela manhã.

Sem falar nada também, saí. Eu estava acostumada com a ausência de diálogo, não havia problema nenhum se ele achava bom ficar horas a fio parado de frente para a lareira. Antes de seguir para a praça, passei por uma das casas aonde havia uma costureira. Bem, boa oportunidade de conseguir uma roupa mais civilizada. Encomendei algumas peças e em troca iria ajudar a tirar a neve da porta e a cortar alguns panos no dia seguinte. Era melhor do que passar o dia naquela casa.

Fui então para a praça, aonde me sentei em um banco de madeira e aguardei qualquer coisa acontecer. Havia um chafariz no meio da praça, mas não jorrava água, devia ter congelado no frio Russo.

Levei um susto quando dois seres que surgiram do nada pararam sentados do meu lado. É, vampiros levam susto.

–Então, você é a garota nova no lugar? – Perguntou o da direita, enquanto eu ainda me recuperava.

–Ouvimos falar de você. – Falou o da esquerda. – Prazer, Lionel King.

Ele acenou com a cabeça, uma espécie de reverência, ou sei lá o que. Era baixo e ruivo, com uma expressão falsamente séria no rosto.

–Giuliet Collins.

A outra voz surgiu do outro lado.

–Paco Salazar. – Apresentou-se. Cabelos negros e um bigode fino um pouco fora de contexto.

–Ok rapazes, quando disse “vamos lá busca-la” eu não quis dizer “vamos lá assusta-la”. – Andreas disse, aparecendo só naquela hora, meio que rindo. – Desculpe, eles são meio constrangedores de vez em quando.

–Constrangedores... – Resmungou Lionel, revirando os olhos.

–Tudo bem, são melhores do que as pessoas sem senso de humor. – Respondi, sorrindo.

–Gostei dela. – Lionel sorriu também.

–Vamos até os outros. Estão esperando.

Enquanto andávamos, já afastados da praça, me dei conta de uma coisa.

–Espera! Você disse que seu sobrenome é Salazar, você é parente ou algo do tipo do... – Eu não sabia o primeiro nome do outro Salazar. – Do vampiro do setor sete.

–Meu tio avô. Xavier Salazar. – Ele disse, tranqüilamente. – Não fala comigo desde que me rebelei contra suas idéias tradicionalistas. Por isso saí de casa. Andreas me disse que você estava na casa dele. De onde o conhece?

–Na verdade, não conheço. Kratos me mandou aqui, não sei se conhece.

–Conheço.É um cara legal, o Kratos. Lutaram juntos em algumas batalhas, mas meu tio ficou muito preso a ideais enquanto o outro não ligava para absolutamente nada. Não se falam a um tempo.

–Entendo.

–Ele sabe que você anda saindo com a “gangue de pilantras” ? É como ele nos chama.

–Se ele sabe meu nome, já vou ficar impressionada.

Ele riu. Se ele não dissesse que era parente de Salazar, eu jamais saberia.

Andamos muito até chegar a uma casa de madeira grande, que mais parecia um galpão, afastada do centro do que eu vim a descobrir ser o setor dezenove. Se você queria um lugar para se esconder, aquela era a casa. Não havia vizinhos, as casas mais próximas estavam longe, quase dois quilômetros. Eu podia ouvir vozes lá dentro. Me pareceram umas sete.

–Eu sou a única “não-filiada” disso, mesmo? – Perguntei, insegura.

–Ah, não! – Me tranqüilizou Paco. – Isso não é uma reunião profissional. É uma espécie de encontro, para se divertir, conversar. Nada demais.

Não estava convencida. Tudo que eu não queria era ser invasora em uma reunião da revolta. Por um momento a idéia me pareceu tentadora, mas não, era melhor que não fosse mesmo.

Eles entraram, comigo logo atrás. As pessoas lá dentro estavam alegres, conversavam distraidamente. Era uma cena muito nova para mim, nunca tinha visto nenhum de nós tão... humanizados. Era uma sensação muito boa saber que nem tudo era tão ruim quanto eu imaginava.

–Gente, tem uma pessoa aqui. – Disse Andreas, como se eles já não tivessem me notado. – Nova na cidade e precisando urgentemente de um ciclo social descente.

Alguns deram uma risadinha, e voltaram a conversar. Lionel e Paco entraram em uma rodinha, mas Andreas me puxou para dois que estavam um pouco à parte. Sim, me puxou. Eu o conhecia faziam dois dias, mas puxou.

–Então, você é a garota do setor sete? – Disse a loira baixinha e simpática, que não devia ter passado dos dezessete quando foi transformada.

–Eu mesma.

–Prazer, Fátima Volturi. Meu irmão falou que você está na casa do Salazar. Boa sorte.

–Prazer. Então, vocês dois são irmãos?

–Nós três. – Disse o rapaz do lado, que aparentava ter vinte anos, cabelos loiro escuros, e exageradamente grande. Só perdia para o Kratos, até porque vencer um ex-guerreiro espartano é um pouco difícil. – Eu sou o do meio. Giacomo.

–Prazer.

–Então, você tem alguma família?

Uma pergunta normal para a época. Antigamente, o modo mais comum de transformação era mais de um indivíduo por família. Tudo porque passou uma fase que se achava que a espécie deveria crescer, logo, quanto mais melhor. Aí o resultado, três irmãos.

–Não, da minha família fui só eu, felizmente. Vocês são italianos, se não me engano?

–Sim, da região da Toscana. Nossa família tinha uma fazenda por lá, não muito grande. Bom lugar para se viver.

A conversa fluiu tranqüilamente, sem preocupações ou momentos constrangedores. Senti um conforto pouco comum perto de outros da minha espécie, o que era ótimo. Giacomo era muito engraçado, tirava gargalhadas a todo momento. Além dos irmãos, conheci também os outros do lugar. Os únicos dois casais que haviam eu reconheci como sendo os da confusão no dia anterior. Estavam meio afastados, andando sempre em grupinhos diferentes, ignorando uns aos outros. Eram as únicas pessoas que pareciam estar fora do clima de alegria predominante no lugar. Foi assim até de noite, estava tão distraída com o grupo que quase me esqueci que tinha que voltar para a casa de Salazar. Paco mandou um abraço para ele, rindo, obviamente eu não daria o recado. Foi com desânimo que me despedi e fui para casa. Quando entrei, Salazar estava lendo um livro no que agora, conforme eu deixara de manhã, era uma mesa, perto da entrada.

–Boa noite. – Eu disse, educadamente.

–Onde esteve o dia todo? – Ele perguntou, rispidamente.

–Por aí descobrindo a cidade.

–Por dez horas? – Salazar levantou o olhar para mim, desconfiado.

–O lugar é grande. E não há muito o que se fazer aqui dentro, sabe...

–Hum...

Ele voltou para o livro, e agora quem se sentou perto da lareira fui eu, me perguntando se não teria invadido demais sua privacidade. Como não falou nada, permaneci lá, vendo as chamas crepitarem. Não pude evitar sorrir, eu estava quebrando a regra mais básica com Salazar e a sensação era estranhamente agradável. Eu sempre tive um certo desrespeito pelas regras, mas por alguma razão fora do meu conhecimento, sair escondida dava uma certa emoção, como se houvesse adrenalina fluindo novamente. Sem falar que me parecia uma boa causa. O dia todo esperei alguém querer, mesmo que indiretamente, me convencer de que a revolução era algo que eu deveria realmente participar, já que minha parte instintiva via nisso a única razão para ter sido tão bem aceita. Mas não aconteceu, nem sequer foi citado, o que houve foi uma grande demonstração de civilização. Não tinha outra definição, por vários momentos eu preferi ficar parada com receio de parecer um animal feroz ou algo do tipo. Vinha agindo assim durante todos aqueles anos, como todo nômade.

–Encontrou alguém? – Salazar me trouxe de volta à realidade. Me encarava agora, a sobrancelha levemente levantada.

–Ninguém importante. Só a Myrtis, costureira. Amanhã vou ajuda-la a cortar alguns panos, encomendei roupas.

–Como você sabe como encomendar?

–Eu ando por aí aprendendo, não olhando para o céu.

–Certo... só? Não cruzou em momento nenhum com um grupo meio grande de vampiros jovens?

Por um momento, eu gelei. Ele insistira demais no tópico, me pareceu que ele sabia. Quando voltei a encara-lo, ele aplicava um olhar penetrante que, apesar de ter tido um pouco de dificuldade nisso, consegui sustentar.

–Vi andando, longe de mim. Passei bem longe deles, eu prestei atenção no que o senhor disse.

Ele me avaliou por mais um tempo, enquanto eu bravamente sustentava o olhar. Até que ele deu de ombros, se virando.

–Tudo bem então. Fico mais tranqüilo.

–Por que os odeia tanto? – Não resisti à tentação de perguntar.

Ele se voltou impaciente, mas sem me encarar dessa vez.

–Eles brigam com quem não devem. Leis são feitas para serem cumpridas, não importando a natureza, e não são inconseqüentes que têm o direito de acabar com a paz por isso. – Percebi que ele estava falando mais para si mesmo do que para mim. – Aquele que as cria tem experiência o suficiente para saber o que é certo e o que é errado para nós. Vampiros novatos não têm a menor chance perto das dificuldades que o cargo de governante apresenta. Crianças...

Ele saiu do cômodo, e o ouvi se deitar na cama. Olhei incomodada para a janela. Salazar parecia muito convicto de suas idéias, mas não conseguia fazer elas penetrarem corretamente na minha cabeça. Eu não consegui achar aquelas pessoas ruins, desavisadas ou mesmo inexperientes. Porque todos traziam um olhar antigo que não parecia pertencer ao tempo em que viviam. Claro que eu poderia achar isso por ser mais nova que todos ali, mesmo que não muitos anos, mas o fato era que eu não conseguir concordar com Salazar, apesar de parecer o mais sensato.

–Antes que eu me esqueça... – ele disse baixinho do quarto, como se doesse o que ele iria dizer depois. – Obrigado pela arrumação.

Não pude deixar de sorrir.





I still remember the world from the eyes of a child. Slowly those feelings were clouded by what I know now...
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Henrique S.C
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sex Maio 25, 2012 2:49 pm

Hum, alguém podia criar uma fic nova e que tenha eu tongue
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Camily J. Conard
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sex Maio 25, 2012 3:10 pm

nossa, lembro q lendo o finale, n lembrava de um monte de gente. @_@'
refrescando a memória aqui \o\




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Henrique S.C
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sex Maio 25, 2012 5:54 pm

Adorei o último capitulo
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sab Maio 26, 2012 6:04 am

Revolta - 1567

Com três meses na Capital, eu já entendia perfeitamente o funcionamento do lugar. É bem mais simples quando se acostuma, apesar de discordar em vários pontos sobre a organização. Principalmente pela intimidação que éramos obrigados a conviver. Os guardas reais, vampiros com cara de maus e roupas engomadas, a todo momento cruzavam o seu caminho te olhando como se soubessem que fez algo de errado. Ou talvez fosse a minha consciência pesada, de qualquer forma.

Nos últimos meses adquiri uma certa vontade de participar da revolução. Conhecendo-os melhor era difícil dizer que não estavam errados. Principalmente depois que uma família inteira – cinco vampiros – foram mortos em praça pública simplesmente por terem sido ouvidos pelos guardas questionando o governante. Os guardas os levaram para o castelo, de onde voltaram com a sentença dada. Eu nunca me esqueci do olhar do último a ser sacrificado quando viu sua família sendo eliminada tão injustamente. Fora outros casos parecidos, que me fizeram sentir náuseas. A teoria de Salazar de que tudo isso era para uma razão que não nos cabia entender não estava servindo mais.

A convívio com Salazar melhorava aos poucos. Agora ele até conversávamos normalmente. Não era um mau sujeito, só era muito amargurado com a vida. Consegui manter a casa arrumada e consegui convence-lo a encomendar umas roupas, as que ele possuía deveriam ter alguns anos e estavam desgastadas. Ele só não perdeu a mania de passar horas olhando para a lareira, como se houvesse algo de muito interessante nela. Já não perguntava onde eu ia, o que era um alívio.

Hoje eu iria na Myrtis novamente para cortar mais panos. Era uma vampira pequena e de semblante meigo, de meia idade, muito agradável por sinal. Eu gostava de ir lá ajuda-la de vez em quando, mesmo quando não tinha encomendas minhas. Até que ela perguntou se eu não gostaria de trabalhar com ela, afinal ela precisava mesmo de alguém, mas ninguém queria. Entre ficar o dia todo com Salazar e trabalhar tranqüilamente com Myrtis, a segunda opção ganhava de lavada. Ela não me pagava nada, claro, não havia dinheiro, mas ela fazia qualquer tipo de roupa quando eu quisesse, de vez em quando mesmo que eu não quisesse.

Mas, naquele dia, as coisas não seguiriam exatamente a rotina. Enquanto costurava um casaco branco para quem quer que fosse, um sino alto e estridente tocou em algum lugar. Levantei a cabeça curiosa, mas o efeito em Myrtis foi assustador. Ela se levantou rápido, colocou os panos que bordava embolados na primeira gaveta que encontrou e começou a sair.

–Myrtis, espera, o que aconteceu?

–O sino. Quando ele toca, todos devemos ir para a frente do castelo. Hugh tem algo a nos falar, e nunca é coisa boa. Larga isso aí e vamos logo.

Obedeci e a segui pelo caminho em direção o centro da Capital, vendo outras pessoas fazerem o mesmo com nervosismo óbvio no olhar. Quando chegamos, já havia uma multidão reunida em frente ao castelo. Olhei pelas cabeças procurando alguém conhecido, mas só identifiquei Salazar não muito longe. Ele tinha um estranho ar de contentamento no rosto. Ele havia passado a noite fora novamente, e me perguntei se ele teria algo a ver com o que quer que fosse acontecer. Meu pensamento foi cortado por uma voz grave e firme vinda de algum ponto sobre nós. No centro da construção, em uma sacada, estava o vampiro dono da voz. Pelo modo que todos o olhavam praticamente sem ar, supus ser Hugh. Um vampiro baixo, que de aparência não chegava aos trinta, cabelos muito negros e feições grosseiras, mas com olhos que deixavam passar uma idade muito superior mesmo para os que não o conheciam. Seu ar de comando fez meu cérebro processar automaticamente que tudo que ele diria estaria certo, sem nem ao menos saber o que ele falaria. Eu sempre andei sozinha, nunca havia tido um líder, mas agora entendia porque aquelas pessoas estavam naquela cidade sem brigar, sem discutir uma vírgula do que ele propunha a toda a espécie. Não era como quando humanos, que recebíamos uma ordem de um superior e refletíamos dezenas de vezes se deveríamos obedecer. Eu simplesmente queria obedecer agora, sem nem saber a ordem, só de olha-lo.

–Povo da capital! – Ele disse em Russo, língua complicada que por sorte Lionel estava me ensinando. – É com grande satisfação que venho a vocês informar que, como toda cidade, temos que progredir! Sinto que estamos desprotegidos de qualquer coisa, por isso, o que acham de uma muralha cercando a cidade?

Alguns aplaudiram a fizeram barulho, outros só ficaram quietos, assim como eu.

–Mas – ele continuou, a falsa simpatia crescendo um pouco. – Não se pode criar construção com apenas o desejo, certo? Portanto, escolhi a dedo algumas pessoas para me ajudarem. – Percebi alguns guardas andando ao redor, como se esperassem o momento certo para fazer algo. Eram identificado pelas roupas azuis turquesa com um símbolo de uma coroa dourada pingando um líquido, provavelmente sangue, estampado no peito. – Aquelas que irão levantar a muralha de seu império. Estão agora sendo abordadas por minha fiel guarda.

Abordadas era pouco. Por dezenas de vezes ouvi sons de resistência e de pequenas batalhas. Alguns foram sem nem sequer discutir, mas outros tiveram que ser segurados por mais de um guarda. Olhei cada rosto, buscando um conhecido, até chegar ao último e prender a respiração. Um que ainda tentava sair e era segurado por quatro vampiros era Paco, o sobrinho-neto de Salazar, renegado da família e membro da revolução. Eles foram levados para dentro e, antes de sumir dentro do castelo, eu vi Hugh lançar um olhar fulminante para ele. Olhei para o lado, Myrtis parecia horrorizada. Eu tinha uma idéia do porque.

–Giuliet, ele vai escraviza-los. – Eu imaginava que fosse algo assim, ninguém tenta ficar fora de um trabalho agradável daquela forma. – Meu Deus, meu filho...

–Espera, seu filho é um deles? – Eu sabia que ela tinha um filho vampiro, mas nunca o tinha visto realmente.

Ela acenou que sim, de cabeça baixa e soluçando. Nós choramos quase como um humano, a única diferença era a falta das lágrimas. A levei para casa enquanto o resto da multidão se dispersava. Ela estava abalada demais e não pude evitar de sentir um misto de pena e raiva. Aquele respeito visual que Hugh causava havia morrido em mim tão rapidamente quanto nasceu. Enquanto sentava Myrtis em uma cadeira em sua casa, eu quis acabar com ele. Quem ele pensava que era? O fato de estar em um cargo de comando só mostrava que ele deveria ser justo e não usar as pessoas como bem entendesse. Era o povo dele, e não seus empregados. Eu tinha que fazer alguma coisa.

–Vamos fazer alguma coisa, Myrtis, eu prometo. Você vai ter seu filho de volta, nós vamos dar um jeito.

–Não podemos fazer nada. Ele é muito forte. Não pode fazer nada, criança.

As verdade das palavras me atingiram, abaixando o instinto de lutar. Ela estava certa, eu era só uma criança se comparar com Hugh e a maioria de sua guarda, e nada poderia fazer sozinha. Foi pensando nisso que fiquei na sala de Salazar andando de um lado ao outro, enquanto o fogo da lareira crepitava perto de mim. Infelizmente, ele chegou, animado.

–Giuliet, você estava lá? – Ele parecia me perguntar se eu tinha visto o maior espetáculo da Terra.

–Aham. – Respondi rispidamente, mas ele não pareceu se abalar.

–Ele é genial, não acha? Uma muralha, mas veja só! Seremos um núcleo unido, e bem mais controlado, claro. Iria acabar com os casos de fuga... – E continuou falando, mas meu cérebro parou nas últimas três palavras.

–Espera... casos de fuga?

–Sim, aqueles infiéis que fogem da Capital, acham que podem ir embora quando bem entendem.

–E não podem?

–Claro que não! A partir do momento que entramos aqui, não podemos sair, a não ser que nosso governante nos permita ou nos ordene. Nunca citei isso?

–Não, não citou! – Agora eu estava realmente horrorizada. – Aliás, obrigada por avisar antes que eu fosse dar um passeio e virasse fogueira! – Sua expressão mudou de alegre para fria e incalculável, mas eu não parei. – E você deve ter achado ótimo aquele show de horrores! Sabia que eles vão ser escravizados?

–Sabia. – Ele respondeu simplesmente.

–Sabia? Isso torna as coisas muito piores, então! Ao menos se deu conta que o seu sobrinho é um dos escravizados?

Ele ficou um tempo em silêncio, enquanto sua expressão mudava de fria para raivosa. Se ele pudesse, provavelmente estaria vermelho de raiva.

–Como você sabe?

–Como eu sei não é o ponto aqui! Como você pode ser tão frio e amargo que fica feliz com o sofrimento alheio? Seu próprio sobrinho, Salazar! Seu sobrinho!

–É bom que ele aprenda a respeitar aqueles a quem ele deve respeito!

–E você acha que aquele facínora é alguém digno de respeito?

–Pense duas vezes antes de falar mal dele! Você não sabe de nada para o julgar dessa forma, ele fez mais pela nossa sociedade do que qualquer um de vocês, hereges, jamais fará! Pensa que pode ser melhor do que ele? Pois aqui vai uma coisa para você pensar: você jamais chegará ao posto que ele está!

–E quem lhe disse que eu quero? Se for preciso se tornar o monstro que ele é para isso, eu nem sequer quero chegar perto disso! E sem falar que... hereges? O que ele é, um deus?

–Vocês querem é tomar o lugar dele e espalhar a desgraça sobre nossas cabeças, isso sim!

–Sinceramente? Eu não sou obrigada a ficar aqui ouvindo você delirar. Com licença!

Arrumei minhas coisas rapidamente enquanto ele resmungava insultos a todos que desafiavam seu tão amado mestre. Se antes eu queria arrumar uma forma de acabar com Hugh, agora eu queria arrumar uma forma de acabar com ele lenta e dolorosamente. Palmas para Salazar, ele conseguiu me fazer ter uma fúria que não lembrava ter tido alguma vez. Com a trouxa de roupa nas costas, me dirigi a porta, mas não sem antes falar uma última coisa que estava entalada na garganta.

–Sabe, um dia você vai abrir os olhos para o mundo real. E então eu espero que não seja tarde demais.

Fechei a porta, deixando o rastro de insultos para trás. Depois de andar quase um quilômetro, me dei conta de que não havia para onde ir. Não havia o que fazer. Talvez fosse só a minha imaginação, mas eu pude jurar que ouvi um grito abafado vindo da direção do castelo. Se ao menos eu pudesse fugir dali, mas ninguém me avisara. Nem Kratos, nem Salazar e nem mesmo... Andreas, claro! A revolta! Eu tinha certeza que eles tinham um bom plano. Me dirigi para onde eu sabia que os Volturi moravam. Andreas também não me disse nada, como ele pode deixar passar isso? Ninguém me disse nada, mas que inferno! Estava com tanta raiva que mal percebi quando a casa apareceu na minha frente, quase que como mágica. Antes que eu esmurrasse a porta, Andreas apareceu com o semblante preocupado.

–Ah, que bom que...

–Como você não pode, nem por um momento de distração, ter a decência de me dizer que eu não poderia sair desse inferno nem por cinco minutos?

–Me escuta...

–Você deve ter se esquecido, claro, é um detalhe insignificante? Ou seria melhor mesmo que eu morresse, sabia demais sobre o seu grupinho de salvadores da pátria? Cinco minutos seriam necessários, sabe, não ia doer nem nada. Além do mais...

–Para! – Ele gritou, e me assustei com o som. Ele nunca se alterava. – Você pode parar de brigar comigo e me ouvir por alguns minutos ou vai querer ficar gritando o resto do dia?

Respirei fundo e fiquei em silêncio, mas ainda estava com raiva. Não era de Andreas, mas eu acabei estourando com ele. Era muito impulsiva, e por isso acaba arrumando confusões aonde não deveria naquela época. Por sorte, Andreas se acalmou rápido e me levou para o lado externo da casa, aonde ninguém nos veria ou ouviria, e começou a falar baixo.

–Eu não te falei nada porque eu tinha a esperança de que você não quisesse sair da cidade, logo, não teria problemas. Não tinha porque te apavorar com isso.

–E se eu resolvesse sair sem motivo algum, o que ia acontecer?

–Eu não permitiria que isso acontecesse.

–Claro, afinal, você está comigo vinte e quatro horas por dia, certo?

Ele suspirou e, por um momento, me pareceu tão cansado que pensei em dizer para ele ir se deitar ou coisa parecida. Mas isso era absurdo, já que deitar não resolveria um cansaço mental.

–Acho que você tem o direito de saber.

Ele se sentou e apoiou as costas na parede da casa. Permaneci em pé, meio desconfiada.

–Quando eu era humano, eu era muito bom em palpites. Nós trabalhávamos com lavoura e de alguma forma eu sempre dava a idéia certa sobre o que fazer, no que produzir aonde, e sempre dava certo. E não era apenas sobre a lavoura, era sobre quase tudo. Eu sempre tinha um pressentimento de que algo daria mais certo ou mais errado, e nunca errava. Meu pai ficava maravilhado e não parava de repetir que ele dera sorte ao me ter como filho mais velho, que ele não poderia esperar para ter alguém melhor como principal herdeiro. Já Giacomo mal conseguia manusear a terra, e papai nunca cansava de dize-lo o quanto ele preferia a mim. – Sua voz soou amarga, como se a injustiça tivesse sido com ele. – Eu ficava todo inchado na época, mal cabia dentro de mim de tanto orgulho. Bem, assim foi até que Giacomo simplesmente parou de falar com todos na casa, exceto Fátima. Durante a noite, um bando de vampiros invadiu a fazendo buscando humanos fortes que pudessem aumentar a espécie. Encontrou nós três e nos transformou. Quando eu acordei, bem, era fácil perceber que não seria só um vampiro normal. Eu posso ver o futuro, Giuliet. Ver mesmo, a cena tal como ela irá acontecer. Mas não é exato, o futuro pode mudar dependendo da escolha de cada pessoa. – Eu sabia que estava de olhos arregalados, mas não deu para evitar. – Nós três fugimos do clã, montando o nosso próprio, e Giacomo acabou se acostumando com a idéia de me ter como líder. Essas coisas são inevitáveis, estão no instinto, não nas escolhas. Bem, na maior parte das vezes, não. – Ele parou antes de perder o foco da conversa. Eu mal ouvi o que ele disse em seguida, só me dei conta de que estava sentada ao seu lado. – Eu posso ver agora como ele tortura os presos que não querem cooperar. Irá chegar em Paco daqui a pouco e... – Ele fechou os olhos e levou as mãos aos olhos. – De vez em quando eu não quero ver...

Eu não sabia o que fazer, essa era a verdade. Ele parecia ter esquecido da minha presença enquanto assistia um show particular medonho. Por um momento, eu quis que ele pudesse compartilhar o que sentia para que não fosse tão penoso. Em um primeiro momento, eu tinha ficado assustada com o a dimensão daquele poder, mas o custo era alto. Antes que pudesse pensar direito, o abracei e senti que ele tremia. Ele não fez objeção, para ser sincera eu tinha algumas dúvidas de que ele tinha sequer notado. Aos poucos a leve tremedeira passou e ele abriu os olhos, se afastando um pouco, mas não exatamente saindo do abraço, enquanto me encarava, o medo ainda no rosto.

–Obrigado. – Ele disse com a voz muito baixa.

Estávamos perto demais e meu cérebro foi aos poucos perdendo a capacidade de agir normalmente, como se desligasse. A única coisa que eu ainda percebia era que estávamos nos aproximando cada vez mais, eu não conseguia mais respirar, e...

–Andreas, abre a porta, pelo amor de Deus, Andreas! – Uma voz gritava da porta da casa, me trazendo com brutalidade ao planeta novamente. Nos levantamos rápido e, quando saímos do lado da casa, seu rosto já havia assumido novamente a expressão de sempre, do líder esforçado e pronto para resolver qualquer problema. Eu odiei quem quer que fosse por isso.

Era Joanne, que de tão desesperada que estava não percebeu que Andreas estava do lado de fora. Ainda bem.

–O que houve? – Ele perguntou e ela se virou rápido, como se não tivesse notado ele ali.

–Ah, ainda bem!

Ela se jogou nele e começou a soluçar. Ele estava algo entre confuso e constrangido, eu não soube dizer ao certo. Giacomo e Fátima apareceram na porta, também ficaram confusos, e Fátima a ajudou a traze-la para dentro. Os olhos de Andreas perderam o foco novamente, ele já saberia o que era. E pela expressão de preocupação no rosto, não era nada bom. Ouvi ele resmungar um “meu Deus” e entrar, o segui. Lá dentro Joanne estava sentada em uma poltrona, Giacomo e Fátima em volta dela. Fátima lançou a Andreas um olhar questionador.

–Pegaram o irmão dela. Estão prendendo outros. Ele tentou fugir, mas já o pegaram. Estão com ele no castelo.

–Temos que fazer alguma coisa! – Giacomo disse enquanto se mexia inquietantemente no lugar onde estava.

–Eu sei, eu sei. Temos que reunir os que sobraram e decidir o que fazer. Acho que a hora de lutar seria agora.

–Estou dentro! – Disse Giacomo animado como se lutar contra dezenas de guardas fosse algo divertido.

–Eu também. – Disse Fátima, pondo-se de pé.

–Eu também. – Falei do fundo da sala, e os três se viraram para mim.

–Mas você não é...

–Agora sou. Vocês não esperam que eu fique parada de braços cruzados, esperam?

Giacomo sorriu e Andreas deu de ombros.

–Você que sabe. – Ele não pareceu muito feliz com a idéia, mas o problema era inteiramente dele. – Vocês dois, chamem o pessoal que encontrarem e traga-os aqui. Você – disse para Joanne, enquanto os irmãos saíam. – se acalme e depois vá chamar quem encontrar. Não se preocupe, vamos dar um jeito nisso. E você – Agora ele falava comigo. – se quiser guardar suas coisas, tem um quarto extra no segundo andar. Pode ficar aqui.

–Ah... não precisa, eu estava pensando em ficar com a Myrtis, o filho dela foi levado e ela está sozinha...

–É melhor você ficar aqui. Não é bom perdemos quem sobrou de vista. Eu insisto. – Não, seria invasão demais, eu não ia ficar ali.

–Tudo bem. – Espera, eu não ia dizer “não”?

–É o último do corredor, o da direita. – Ele falou se sentando na poltrona e, quando voltei de fora com as trouxas que havia deixado ao lado da porta, passando por uma quase inteira Joanne, seus olhos estavam sem foco. Assistia a mais algumas barbaridades. Quando cheguei no alto da escada, pude ouvir um sussuro baixo.

–Ele está ficando louco...





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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sab Maio 26, 2012 6:09 am

Adorei!Também eu adoro todos os capitulos são todos bons
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Luke K. Foster
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Sab Maio 26, 2012 1:08 pm

Cara, ainda to no quarto capítulo, faculdade não deixa fazer nada, rsrs.
Mas prometo que leio o resto, tá muito fod* até agora!
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G. C. Volturi
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Dom Maio 27, 2012 5:36 pm

Relaxa Luke, sem pressa. xD
Mais um capítulo. \o
Omg, como eu amo esse...

___

A Batalha da Capital - 1568

Dois meses foi o que levou para estarmos prontos assim que o plano foi formado. Naquela noite, quando todos da revolução se uniram, fiquei impressionada com a capacidade de Andreas de montar um plano satisfatório em tão pouco tempo. Quanto durou para reunir todo mundo, duas horas? Só sei que quando estávamos todos os catorze, todos tinham um semblante preocupado. Em um dia já havíamos perdido dois, e quantos mais perderíamos? Andreas se pôs no meio da sala, e todos o encararam sem muito ânimo. Ele próprio não parecia muito animado.

–Acho que chegamos em um momento crucial das nossas vidas. Nenhum de nós pode partir, se esconder mais. Hugh chegou ao auge de sua loucura transformando a todos nós em escravos, peças facilmente utilizáveis. Até agora temos agido apenas intelectualmente, nos reunindo aqui e discutindo inutilmente o que é certo e o que é errado. Temo que esteja na hora de agirmos de verdade, não sei o que ele pode fazer. Infelizmente, não somos um números exatamente impressionante. Precisamos de mais gente disposta a lutar, mais pessoas que queiram acabar com isso. Chamem as pessoas, tornem pública a revolta, façam com que tenhamos um número maior do que eles. Mas, por favor, pessoas de confiança, não deixem que isso vá parar nos ouvidos dos guardas.

Então, na teoria estávamos recrutando pessoas, qualquer um servia. Pessoalmente eu achava que fazer isso era um passo inseguro, afinal, sempre há alguém que acha que melhor faz dedurando. Porém havia ocorrido tudo tão perfeitamente certo que era difícil acreditar. Em pouco tempo, havíamos instigado os setores onze, doze, treze, dezesseis, dezoito e dezenove por completo. Os outros, exceto um, dois e três, mais próximos ao castelo, estavam próximos disso. O problema no momento é que não sobrou exatamente muita gente para convencer no final da história. Os que não estavam presos trabalhando estavam mortos, e os outros tinham medo de sair de casa. Dominar um setor por completo nessas condições não era exatamente uma grande coisa, para ser sincera.

Com a confiança de uma parte dos habitantes conquistada, já poderíamos pensar no nosso plano de batalha. Mas Andreas não estava muito disposto a conversar sobre isso, imaginei que ele estivesse vendo as probabilidades, mas não sabia ao certo. A impressão que eu tinha era que, quanto mais os dias passavam mais fechado ao mundo ele ficava. Eu sabia que ele estava forçando as visões e que ainda não tinha um plano formado, mas depois que ele passou três dias sem falar uma sílaba, sentado olhando um ponto fixo no teto, fiquei realmente preocupada. Me sentei na poltrona mais próxima silenciosamente.

–Andreas, quanto tempo faz que você não põe os pés fora de casa?

Ele me olhou meio distraído, era como se eu não estivesse ali realmente. Depois balançou a cabeça e coçou os olhos, suspirando. Por um momento eu pude jurar que ele tinha envelhecido alguns anos.

–Será amanhã. Amanhã vamos partir para a luta. Os guardas já estão desconfiados, e já temos gente o bastante. – Sua voz parecia muito suave e um pouco irreal.

–Sim, ótimo. Agora, por favor, ande um pouco.

–Boa idéia. Acho que vou reunir todo mundo e prepara-los para a batalha. Talvez recrutar mais alguns de última hora, ou...

–Não, para! Quando eu disse “andar” eu não quis dizer “recrutar”. Descanse um pouco, se acalma, você não vai resolver nada preocupado desse jeito. Eu estou ficando preocupada com você. – Ele se permitiu um sorriso fraco.

–Você não precisa.

–Você não me deixa outra opção.

Ele ignorou completamente minha tentativa. Levantou-se e foi até a escada, parando no primeiro degrau.

–Giacomo, está na hora. Mande que venham todos!

–Ah, eu desisto, você é impossível... – Reclamei me levantando, pronta para ir ajudar Giacomo. Já que ele queria ir logo para a luta, tudo bem.

Giacomo desceu, assim como Fátima, e nós três saímos para buscar todo mundo. Demorou um pouco até que estivessem todos – para a minha surpresa, cento e dez vampiros – em frente à casa dos Volturi. Não demoraria muito para os guardas perceberem que havia algo estranho acontecendo, então tínhamos que ser rápidos. Andreas subiu ao telhado para que todos o vissem e começou a falar o mais claramente o possível. Na minha opinião, parecia um pouco nervoso demais.

–Hoje é o dia em que nossos pesados acabam, senhores! Hoje... – seus olhos perderam o foco, ele ficou um tempo sem falar, e quando voltou ao normal, estava mais nervoso. – Gente, nossa liberdade nos aguarda, estamos – Aconteceu novamente. – E claro que... – De novo. – Daremos um fim ao...

–E é você que vai nos comandar?– Disse alguém desdenhoso.

–Realmente acha que nós vamos ter alguma chance contra Hugh e os capangas, sinceramente.

Mas acho que Andreas não ouviu uma palavra sequer do que os dois e mais alguns disseram. Seus olhos não paravam de perder o foco, ele não conseguiria falar. É tecnicamente impossível ir lutar sem ter soldados – odeio usar essa palavra, mas é o que nós éramos, soldados – sem inspiração, sem vontade de matar. Quando dei por mim estava subindo o telhado e me postando ao lado dele. Em certos momentos você age tão naturalmente em certas ocasiões que acaba se perguntando se era você mesmo agindo. Foi o que aconteceu comigo naquela hora. Me pus em frente ao povo e Andreas, aparentemente desistindo de não ter visão após visão, andou alguns passos para trás, uma pequena expressão de constrangimento no rosto.

–Eu sei que o que temos que fazer hoje é difícil, para todos nós. Hugh está no poder há séculos e todas as tentativas de rebelião passadas acabaram em um fiasco, descobertas antes de chegarem ao ponto que chegamos. Parece que temos um impasse aqui. Bem, a decisão é totalmente de vocês. Lutar, não lutar, é tudo decisão de vocês. Mas... – comecei a calmamente andar de um lado para o outro do telhado – Será que o conforto de não lutar supera uma vida inteira de liberdade? Aquele que vocês chamam de líder está nos prendendo, nos tornando escravos. Seus filhos, parentes, as únicas pessoas que nos restam, estão lá, presas, obrigadas a trabalhar dia e noite, enfraquecidas pela falta de sangue, sem poder lutar pela própria liberdade. Amanhã, pode ser qualquer um de vocês. Chance contra Hugh nós temos. Nossos números são o suficientemente grandes para acabar com aquela guarda. Basta que vocês queiram acabar com Hugh, e ele já estará acabado. Mas, se for de sua preferência ser escravo o resto da vida, tudo bem fiquem a vontade. Eu irei hoje, e morrerei tentando, porque acredito que nós somos mais do que simples peças de um tabuleiro prontas para serem mexidas quando bem entenderem. Com licença.

Eu virei as costas, deixando o burburinho para trás, sem olhar para ninguém. Enquanto eu descia, Andreas terminava de falar alguma coisa que não prestei exatamente atenção, porém agora as pessoas pareciam realmente interessadas. Ele lideraria elas para o castelo, mas eu tinha uma outra missão a cumprir primeiro, a promessa que havia feito a Myrtis. Quando ele desceu, não precisei falar, ele chamou Lionel e mais dois outros rebeldes, Karl, Misha e Gaspar.

–Vocês irão com ela libertar os trabalhadores, depois vão se reunir conosco no castelo. É melhor se apressarem. E... Giuliet?

–Sim?

–Cuidado. – Ele disse muito sério.

–Eu sempre sou cuidadosa. – Eu respondi sorrindo antes de me afastar.

Decidimos que deveríamos primeiro por onde havia menos guardas e ir aumentando nossos números com os próprios escravos, ou pelo menos os que quisessem. Curiosamente haviam poucos guardas a princípio, não nos deram trabalho. A verdade é que, de todas as pequenas lutas que eu havia tido, eu nunca havia matado um vampiro. O que normalmente acontecia era acabar usando o poder e fugindo, sem voltar a ser perseguida. Eu já havia matado muitos humanos, claro, mas eles não eram mais a minha espécie. Aquele primeiro, o baixo de cabelos cor de ferrugem, não teve tempo de reagir. Só de identificar o uniforme azul, me transformei em outro ser, o mesmo que vinha à tona quando caçava. Senti um prazer muito próximo da sensação de adrenalina quando pulei em suas costas e torci seu pescoço, fazendo a cabeça voar para fora dos ombros, o barulho de pedra quebrando ecoando pelo lugar. Logo, ele era apenas uma massa indistinta no chão, incendiado pelo fogo de uma tocha que havia por perto. Felizmente, todos os presos decidiram ir ao nosso lado, e assim os guardas não tiveram a menor chance de reação. Não demorou uma hora para resgatar a todos e, sem que ninguém dissesse o contrário, rumar para o castelo. Da resistência tínhamos conseguido novamente o irmão de Joanne e Paco, mas não trocamos nenhuma palavra.

O caminho para o castelo estava deserto, como se até o vento tivesse ido embora. Não se ouvia nenhum som além dos nossos passos. Eu duvidava que todos aqueles vampiros estivessem em batalha, estavam é se escondendo, nunca se sabe qual lado pode sair vitorioso. Não os culpava.

A situação no castelo era infernal. Em alguns pontos lá dentro pegava fogo, e o lado de fora tinha marcas de destruição. Mas todos estavam lá dentro, o som da batalha nos atingindo como um chamado. Nos separamos ali mesmo, cada um entrando da maneira que preferisse na história.

Não entrei pela porta da frente, circulei o lado externo do castelo e, pelos fundos, escalei até o segundo andar, quebrando uma das janelas para entrar. Era um corredor grande e frio, com alguns quadros e tapeçaria trabalhada, todo iluminado por archotes. Não havia ninguém, então virei para a direita em busca de uma escada ou algo que pudesse subir mais. Algo me dizia que Hugh não estava participando ativamente da batalha, e sim esperando que os guardas resolvessem isso para ele. Devia estar no terraço ou em algum lugar mais acima. Mas quando virei o segundo corredor, um guarda com a roupa toda rasgada vinha na minha direção. Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa criei a névoa a uns três metros de mim, que ele inocentemente atravessou e caiu desacordado. Tem certas horas que você não pode querer uma luta justa. O parti rapidamente e, com o fogo de um dos archotes, o queimei. Voltei a correr, agora o corredor tinha uma abertura na parede, possibilitando a visão dos andares de baixo construídos da mesma forma e, no fundo, o hall de entrada, totalmente arrasado. No andar abaixo, pude ver Giacomo lutando contra dois vampiros e vencendo facilmente. Mais para a frente Lionel esquartejava uma vampira, mas seus pedaços pareciam sem disposição para parar de lutar contra o inevitável. E finalmente uma escada apareceu, e nela estava Hecate queimando dois vampiros que jaziam em pedaços nos degraus. Seu poder era controlar os quatro elementos básicos da natureza, portante ela não precisava do fogo dos archotes.

–Giuliet! Você está bem?

–Sim, cheguei agora há pouco! Como estão as coisas?

–Eles lutam bem, mas estamos indo bem. Andreas subiu correndo, acho que foi atrás de Hugh. Ele mandou que nenhum de nós o segui...

Não deixei que ela terminasse e voltei a correr. Ainda pude ouvir um “Ele mandou não ir atrás dele” distante, mas ignorei. Ele ia lutar sozinha contra um vampiro milenar? Além de vidente tinha tendências suicidas?

No terceiro andar não havia tanta gente, mas parecia estar igualmente destruído. Vi Paco e Jesse – o filho de Myrtis – às voltas com três vampiros da guarda e com dificuldade. Um deles segurava Jesse por trás enquanto outros dois tentavam dominar Paco. Corri para o que segurava Jesse e o obriguei a soltá-lo para se livrar de mim. Mas quando ele tentou me segurar, fui mais rápida e saí da sua área de alcance, apagando-o em seguida, para logo após desmembra-lo. Usando o poder ficava tão ridiculamente mais fácil que era quase impossível resistir a tentação de não usa-lo. Enquanto eu fazia isso, Paco e Jesse já haviam eliminado os outros dois, então juntamos tudo e queimamos. Deixei eles para trás e, cansada de ficar procurando escada, quebrei a primeira janela que achei e subi até o último andar, quebrando outra para entrar.

O último andar ainda estava intacto se não fosse para um som abafado que vinha do outro lado do andar e o som da luta nos andares de baixo. Procurei a fonte daquele barulho pelo andar todo, até encontrar uma porta de madeira pesada tombada e atravessada na abertura da entrada. Passei por baixo e me deparei com um salão enorme, os móveis bagunçados e, no final do salão, a fonte do barulho. Hugh tinha Andreas preso pelo pescoço na parede ao lado de uma lareira recém acesa. Andreas não conseguia fazer a mão de Hugh se mexer um centímetro sequer. Uma coisa era lutar contra a guarda, vampiros de no máximo cem anos, outra coisa era lutar contra Hugh, que era mais velho que todos os guardas. Juntos.

Atravessei correndo o lugar, desviando dos destroços de mobília que havia pelo lugar e ia fazer o mesmo que fiz com o vampiro que segurava Jesse, mas me enganei. Quando estava a centímetros de Hugh, ele simplesmente andou para o lado, levando Andreas junto, e eu só tive tempo de apoiar na parede para não acerta-la. Ele arremessou Andreas, que bateu na parede do lado direito de Hugh. Este virou-se para mim e, em uma velocidade difícil de se acompanhar, me deu uma gravata por trás, impedindo a passagem de ar e me trazendo para trás, aonde eu sabia que a lareira estava. Virando o rosto e segurando seu braço, com dificuldade, consegui deslizar pelos braços, me libertando e me afastando. Nesse tempo, Andreas já havia conseguido chegar novamente e, se aproveitando da distração comigo, tentou torcer o braço de Hugh. Corri para tentar torcer seu pescoço, mas não obtivemos sucesso, Hugh desviou o braço antes, tentou dar uma rasteira e, quando Andreas pulou para desviar, apenas o empurrou para longe, ganhando tempo para se virar e fazer qualquer coisa que eu não pude entender direito. Só sei que o movimento acabou comigo na parede contrário enquanto meu abdômen ardia com o impacto. Andreas trocava socos e chutes com Hugh agora, mas estava levando a pior. Seria quase impossível vence-lo naquele ritmo, então deixei que a névoa do meu poder se aproximasse dele. Quando finalmente chegou lá, esperei que ele caísse no chão paralisado, mas isso não aconteceu. Ele apenas começou a rir e olhou para mim. Era a primeira vez que eu conseguia ver seus olhos e a loucura neles era notável.

–Foi assim que você chegou aqui e os outros não? – E perguntou, ainda rindo. – Deixe-me te contar um segredo então, criança. Isso não me atinge. Mas valeu a tentativa.

Parei de usar e a névoa desapareceu. Me lembrei de uma coisa que Kratos uma vez me disse.

“Por vezes você não vai conseguir usa-lo. Por mais que você torne-o mil vezes mais poderoso, existem aqueles conhecidos como ‘escudos’. Eles bloqueiam qualquer ataque mental e, sinto informar, o que você faz é puramente psicológico.”

Mas ele não teve exatamente tempo de continuar a falar. Andreas agarrou sua cabeça e a forçou para trás e para baixo, fazendo sua coluna ceder e ele cair de joelhos. Já havia chegado lá e o ajudei a derruba-lo, imobilizando. Sem pensar duas vezes, arranquei o primeiro braço e arremessei na lareira, onde caiu perfeitamente. O urro de dor foi quase instantâneo. Ele se debateu e tentou se levantar, mas não conseguiu. Andreas arrancou o outro braço e assim por diante, aos poucos o eliminávamos. Quando só sobrou a cabeça, Andreas a levou até a lareira calmamente e a jogou de perto, parando lá e encarando as chamas. A fumaça arroxeada havia começado a preencher o ambiente, deixando-o insuportável. Sentei em uma poltrona confortável que havia sobrevivido e fiquei assimilando o que havia acontecido. Para ser sincera, eu não estava me sentindo normal, era como se uma força estivesse tomando conta de mim. Inexplicavelmente, eu me sentia responsável pelo mundo todo.

–Você está bem? – Andreas perguntou, distante, de onde estava.

–Sim. Está sentindo isso?

–Estou. Esperava que você não estivesse. Não é algo que eu pudesse ver.

–O que isso significa?

Ele ficou em silêncio um tempo antes de responder.

–Que nós dois somos os líderes por direito.

–Como?

–Nós dois matamos Hugh.

Instintivamente, quando um governante morre, o assassino assume o lugar. Eu só descobri que era instintivamente naquele momento, é claro.

–Nós devíamos checar os outros. – Sugeri, a voz morta.

Ele concordou com a cabeça, me levantei e saí do lugar, descendo as escadas quando as encontrei. Mal tinha consciência de Andreas atrás de mim. A batalha também havia terminado, e os que sobraram estavam no hall de entrada cuidando de feridos e alguns até mesmo comemorando. Havíamos vencido. Os Volturi e Hecate correram para nós dois.

–Ele morreu?

Andreas acenou que sim e o rosto dos outros se iluminou.

–Perdemos quantos? – Perguntei, e eles se voltaram assustados para mim, como se eu houvesse brotado do chão. Eu havia reconhecido Hugh como líder naquele discurso, afinal, ele era o líder. E agora eu também era, pelo menos metade, e eles provavelmente não esperavam por isso.

–No total quinze. – Respondeu Hecate depois de voltar ao normal. – Da revolução, perdemos o irmão de Joanne, Carl e Misha. – Sua voz se tornou tão baixa que tive dificuldade de ouvimos.

–E aqueles três ali se entregaram. – Giacomo acenou para três vampiros, que trouxeram os três guardas restantes e os seguraram ajoelhados na nossa frente. – O que fazemos com eles?

Andreas e eu trocamos um olhar rápido, mas acho que não haviam dúvidas sobre o que se fazer.

–Deixe-os. Hugh está morto, não há mais a quem servir. Estão livres agora.

Os vampiros os soltaram e eles, após lançarem a Andreas um olhar agradecido, sumiram do palácio.

–O povo precisa saber. Quando vão se pronunciar? – Fátima perguntou tranqüilamente.

–Amanhã. Precisamos decidir algumas coisas ainda. Iremos falar com eles quando estiver tudo pronto.

–Eu preciso falar com você. Agora. – Disse para Andreas.

–É, eu sei.

Saímos do hall e fomos para um corredor adjacente, longe dos ouvidos de todos os outros.

–Eu não vou dividir o poder com você, isso não dá certo. Portanto, amanhã nós não iremos nos pronunciar. Você vai.

–Não é tão simples assim. Você não pode simplesmente desligar isso.

–Não vou desligar, vou guardar. – Ele parou de me encarar. – Amanhã você vai se apresentar como líder e vamos fingir que isso não existe.

–Giuliet, eu não sei se... – Segurei seu rosto, obrigando-o a olhar para mim.

–Eu confio em você. É o líder mais brilhante que eu já conheci, será muito melhor do que eu.

–Se você não tivesse chegado lá em cima, eu teria morrido.

–Duvido muito. – Eu disse, sorrindo, e o puxei para perto.

Meu cérebro havia parado de funcionar alguns segundos antes de beija-lo. Ele devolveu, me trazendo para perto. Se passaram-se quinze segundos, três horas ou cinco anos eu não sabia dizer ao certo, a noção de tempo havia ficado esquecida. Assim como o resto do universo, que pareceu se apagar ao redor. Só quando nós nos afastamos que eu me lembrei da situação pós-guerra que estávamos.

–Junte-se a nós. – Ele disse suavemente.

–O que?

–O clã. Se você se juntar a nós, irá se tornar a segunda no comando e pode me ajudar a fazer tudo que eu preciso.

–Mas seus irmãos...

–O Giacomo não liga. Além do mais, ele te chama de cunhada pelas costas já faz um tempo.

Levantei as sobrancelhas, perplexa. Só eu que estava por fora da situação? Andreas simplesmente riu da minha expressão.

–Vamos, temos que nos reunir aos meus irmãos e decidir as novas regras. Agora eu controlo o mundo, certo? – Ele tentou parecer descontraído, mas era perceptível a nota de nervosismo em sua voz.

Era o início de uma nova era e não tínhamos a menor noção do que aconteceria. Só nos restava a tola esperança de que fosse um governo pacífico e próspero.





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Henrique S.C
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Dom Maio 27, 2012 5:37 pm

Ainda não li mas concerteza está ótimo amanha eu assito
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Rafael D. Michelângelo
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Dom Maio 27, 2012 7:46 pm

ahahuahhuahuauh vai assistir amanhã,Canoff?? ^^ xDD

eeeeee muuuito,muuito bom o epi,mesmo,G ^--^

eeeee tenta postar a cada 2 dias,pelo menos,pessoinhas ocupadas se perdem um pouquinho se vc postar diretooooooo Y__Y

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Henrique S.C
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Seg Maio 28, 2012 5:23 am

Lol assistir to locão, já li tá otimo o capitulo
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Camily J. Conard
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Seg Maio 28, 2012 11:43 am

vc posta muito rapido, n da tempo de ler fuuu

de qualquer jeito, ta foda ^^




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Luke K. Foster
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Ter Maio 29, 2012 6:01 pm

Eu li mais um pouco, rsrs. Capítulo 6 foi foda.
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G. C. Volturi
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Dom Jun 03, 2012 7:42 am

A Lei - 1568

Aquela noite foi difícil. Alguns seguidores de Hugh tentaram tomar o castelo de novo, mas aqueles que lutaram conosco mais cedo estavam conseguindo conte-los. Enquanto isso, nós tentávamos encontrar uma maneira de mudar o que queríamos nas regras sem que fosse difícil a adaptação dos demais. Estávamos em uma sala no último andar, longe da confusão que acontecia na frente do castelo. Queríamos ajudar a conter, mas Lionel teve a infeliz ideia de que precisávamos ficar seguros, porque se algo acontecesse conosco ia ser um inferno. O barulho diminuía gradativamente, o que só podia significar que o conflito estava acabando. Era uma pena que tivesse que haver mais uma batalha sem necessidade, Hugh já havia virado pó faziam horas.

A sala aonde estávamos havia uma mesa redonda de madeira, com várias cadeiras ao redor. Me perguntei para que Hugh tinha aquilo se não tinha ninguém para promover uma reunião na “Távola Redonda”. Pelo menos estava sendo útil no momento. Eu estava sentada entre Andreas e Giacomo, e logo depois estava Fátima e Hecate, que depois de ser convencida havia se unido à nós. Precisaríamos de um núcleo mais resistente e ela não tinha ninguém nem aonde ir, mais ou menos como eu. Cinco era um número bom e bem maior do que o habitual. Podíamos não saber, mas havíamos nos tornado o maior clã existente.

–Existem vários pontos que discordo nas leis de Hugh. Principalmente isso dele nunca ter se preocupado com a discrição. Nós fazíamos isso por nós mesmos, e já temos lendas o suficiente entre os humanos, não precisamos de mais. – Andreas começou.

–Acho que devíamos nos preocupar primeiro com o mais óbvio. A Capital. – Giacomo completou, e eu concordei na hora.

–As pessoas tem que ter liberdade. E sem falar que em alguns anos os humanos nos alcançarão. E o que vamos fazer se eles chegarem? Beber todos? Se um vier e não voltar, mais e mais virão para checar, sabem como eles são.

–Eu venho pensado nisso já faz um tempo. Acho que deveríamos acabar com ela. Definitivamente. Nos misturar com os humanos, qualquer coisa. É impossível manter uma cidade de vampiros de forma pacífica.

Eu ia concordar quando Paco entrou na sala, pedindo licença.

–Desculpe a interrupção. – Então, ainda formal de mais, se virou para mim. – Há duas pessoas querendo falar com a senhora lá fora. – Senhora? – Dizem que é importante.

–Tudo bem, já estou indo.

Deixei meu clã – eu ainda não havia me acostumado com a idéia de estar em um clã, a palavra soava estranha – lá e acompanhei Paco. Ele estava diferente, agindo como se fosse um soldado acompanhando um general, e isso me incomodou. Pelos seus modos na sala anteriormente, não era só comigo. Tentei puxar assunto.

–Como estão as coisas com os protestantes?

–Sob controle. Alguns que tentaram atacar foram devidamente eliminados e os que figuram se perderam. Não há sinais de novas tentativas.

Um perfeito relatório militar. Preferi continuar no trajeto em silêncio, visto que não conseguiria muita coisa conversando. No primeiro andar, chegamos em uma porta e ele postou-se dignamente ao lado.

–Esta chegou primeiro. Não acho que ofereça perigo, mas estarei aqui fora caso aconteça alguma coisa.

–Acho que não vai se precisar se preocupar. – Disse ao sentir o rastro de quem era.

Abri a porta e entrei, fechando-a logo atrás de mim. Era Myrtis e, um pouco atrás, Jesse.

–Ah, Giuliet, que bom que você está bem! Fiquei sabendo que você liderou o grupo que soltou os prisioneiros.

–Sim, mas não fiz sozinha. – Percebi a hesitação dela quando falei. Quantas vezes isso ia acontecer aquele dia?

–Bem... ainda posso te chamar de Giuliet, certo? – Ela pareceu preocupada.

–Mas é claro! – Respondi, rindo. – Nada mudou. Fora o fato de agora eu não poder mais trabalhar para você.

–É, eu sei disso. – Ela disse insegura. – Não vou ocupar seu tempo. Só vim aqui te agradecer.

–Agradecer?

–Sim. Você libertou meu filho, não sei se você sabia, mas ele era um dos jurados de morte por rebeldia.

–Não, não sabia. Eu só fiz minha obrigação, eu tinha te feito uma promessa.

–Ele também me falou que você o ajudou a lutar na batalha.

–Foi só uma coisa de momento, provavelmente eu nem precisaria. Ele lutou muito bem. – Percebi que ele sorriu, mas eu apenas disse a verdade.

–É... você deve estar ocupada, melhor a gente sair.

–Fico feliz que tenham vindo, é bom ter uma conversa mais amena. Lá em cima a coisa está meio complicada.

–Imagino que sim. Bem, vamos Jesse. Obrigada de novo. E... toma cuidado, certo?

–Eu sempre tomo.

Eu disse sorrindo, mas o olhar que ela lançou para mim havia apertado a minha garganta. De repente seus olhos se tornaram maternais, de uma forma que eu não lembrava de ter visto nem nos olhos de minha própria mãe. Enquanto eles me deixavam a sós na sala, enquanto eu via o jeito dos dois saindo juntos, senti uma falta de uma família, um vazio que me pegou desprevenida. Me peguei me perguntando como teria ficado minha mãe, ou mesmo Lizzie. Eu não pensava nas duas, principalmente na minha mãe, fazia tantos anos que foi estranho pensar naquilo. Eu nunca soube o que aconteceu depois que fui transformada e, provavelmente, não poderia mais saber. Tirando minha família humana da cabeça, saí do cômodo e Paco me levou para o outro, ainda com aquele olhar austero.

–Paco, você pode parar com isso?

–Perdão, mas isso o que?

–Agir como se fosse um soldado. Nada mudou, pare de agir assim.

–Desculpe, mas está enganada. Tudo mudou, mas talvez a senhora ainda não tenha percebido.

Ele já estava abrindo a porta da outra sala quando chegamos e não pude tentar entender o que ele disse. Entrei e minha surpresa foi tão grande que quase soltei uma exclamação.

–Você? Veio tentar me matar ou o que?

Salazar estava no meio da sala me encarando. Parecia mais velho, cansado e arrasado. Parecia bem pior do que no dia que eu cheguei à Capital.

–Ou então tentar me dizer que o que eu fiz foi um crime gravíssimo a natureza e que eu vou pagar por ter esquartejado seu mestre? Porque, sinceramente, eu não tenho tempo nem paciência para isso agora. – Eu devia ter dito que nunca tinha tido paciência o suficiente em algum momento da minha vida. Enquanto eu falava, ele se encolhia e parecia cada vez menor, sem demonstrar uma reação sequer.

–Não vai dizer nada? Eu tenho coisas a fazer, Salazar. Eu não fico parada o dia inteiro em frente à uma lareira esperando as coisas acontecerem enquanto sofro com qualquer que seja a amargura do meu passado.

–Eu tenho uma coisa a dizer sim! – Ele finalmente falou, levantando a cabeça, mas a postura ainda o tornava menor do que era. – É que... você estava certa quando disse aquelas coisas. Eu estava cego, eu confiava demais em Hugh, ele nem sempre foi daquele jeito.

–Acredito que não, mas ele terminou daquele jeito.

–Sim, eu sei. Mas eu deveria ter visto antes. Eu queria pedir desculpas.

Um silêncio se seguiu, eu não havia esperado por aquilo. Esperaria por Salazar do lado de fora junto com os que preferiam Hugh, mas não no meio de uma sala do castelo pedindo perdão. A cena chegava a ser irreal.

–Salazar, se você está com medo de que eu mande te matar, não se preocupe, eu não ia fazer isso de qualquer jeito, não sou Hugh. E não é para mim que você deve desculpas, é para o seu sobrinho, que está lá fora agora. Vou fingir que nada daquilo aconteceu. Ainda sou grata por você ter me recebido, e fico feliz que tenha aberto os olhos. Agora, se me der licença, eu tenho mais o que fazer.

Ele concordou com a cabeça. Aquela submissão estava começando a me irritar seriamente, se fosse só de alguns eu entenderia, mas de todo mundo beirava o insuportável. Mas, pelo menos, eu achava que tinha me saído bem com ele. Quando saí, não esperei para falar com Paco.

–Eu posso voltar sozinha. Você trate de entrar aí e se resolver com o seu tio.

–Como a senhora desejar. – Ele correu o risco de perder a cabeça e não sabe.

–Não, não é como eu desejar. É como você deve fazer. Ele é a única família que você tem, se fosse comigo eu não pensaria duas vezes. – Diminuí o tom de voz, tentando parecer mais informal. Na verdade, eu havia brigado com ele sem motivo, meu humor estava variando, eu estava meio bipolar. – Pelo menos tente, Paco. Não vai te custar nada.

–Farei o possível. – Ele disse se dirigindo para a sala.

Fiz meu caminho de volta, sem muita pressa. A verdade é que eu não sabia o que fazer, e provavelmente eles também não. Eu quase podia ouvir o som da minha mente funcionando enquanto eu voltava para onde meu clã estava. O que precisávamos era algo singular e que fosse suficiente para manter nosso segredo. Singular e secreto. Único para manter o segredo. Um. Segredo. Só faltou a lâmpada aparecer em cima da minha cabeça, como acontece nos desenhos do século XX. Claro, isso era tão simples e fácil que não sei como me ocorreu antes. Em pouco tempo cheguei de novo à sala e saí escancarando a porta, quase que ela não agüenta.

–Eita, onde é o incêndio? – Giacomo perguntou alarmado. Pela cara de tédio de todos, não haviam feito nenhum progresso.

–Eu já sei o que a gente pode fazer. – Disse me sentando de novo. – É bem simples. Nós só precisamos de uma lei. Uma só. Mas ela engloba tudo. Não precisamos de praticamente mais nada!

–Legal, genial mesmo, mas ainda precisamos da lei. – Hecate falou, não levando muita fé.

–Simples. Manter o segredo. – Disse com um ar triunfante.

–Manter segredo? Isso é fácil, estou desde ontem fingindo que não sei que vocês dois estão juntos. – O ar triunfante foi parar no rosto de Giacomo, enquanto eu travava perplexa olhando para ele. Fátima lançava um olhar de reprovação para ele, Hecate segurava o riso, e eu nem tive coragem de olhar para Andreas. – Não contavam com isso, certo? – Eu odiaria para o resto da minha vida aquele olhar dele. Se eu pudesse corar, eu já teria me entregado. – Vamos, falem alguma coisa, não me olhem com essa cara. Vai dizer que acharam realmente que a gente não ia descobrir?

–Até porque isso seria insultar a nossa inteligência. – Hecate deu corda, e Fátima parece ter se sentido inspirada para entrar nisso.

–Isso, além de ser óbvio para qualquer um menos vocês dois por um bom tempo, aquela desculpa de “unificar o comando porque vocês dois tinham ficado com o mesmo nível de liderança” para ela entrar no clã soou tão feio, Andreas... Não que a gente tenha algo contra, pelo contrário.

–Bem, eu... é que... – Boa Andreas, saiu bem que até me emocionou...

–O ponto é que, escondendo o segredo, nós... Giacomo, para de me olhar com essa cara de sarcasmo antes que eu te apague... mantendo o segredo, nós conseguimos impedir todas as outras coisas. Precisamos esconder ou disfarçar os corpos, não podemos aparecer em público em dia de Sol, não podemos transformar crianças, entre várias outras coisas. – Ótimo, a atenção deles tinha voltado ao assunto principal. – Então, o que acham?

Ficaram em silêncio, me deixando em uma expectativa desagradável. Ou eu tinha resolvido o problema ou eu tinha passado vergonha.

–Bem, acho que a cunhadinha resolveu o nosso problema de uma vez só. Vamos ter que acabar com a Capital mesmo por conta disso, perfeito. – Giacomo disse, me aliviando, apesar da piadinha. – Então, Andreas, se você concordar, eu acho isso bem plausível. – As outras duas concordaram com a cabeça.

Olhei para Andreas, por um momento me preocupando muito com a opinião dele. Ele me olhava de volta, um misto de surpresa, admiração e algo que eu não identifiquei. Acho que a idéia tinha sido melhor do que eu supunha.

–Bem, nem em cem anos a gente ia conseguir chegar em algo melhor do que isso. – Ele falou, ainda me encarando. – Parabéns, Giuliet, você acabou de criar a lei que regerá o mundo pelos próximos anos. Acho que nossa reunião termina aqui, crianças.

Os outros se levantaram e sumiram antes de eu conseguir esboçar qualquer outra reação. Só sobraram na sala eu e Andreas.

–Eles fizeram isso de propósito. – Ele declarou, revirando os olhos.

–É, eu percebi também. Quando vamos falar com a população?

–Amanhã pela manhã. Deixa a poeira baixar primeiro. Você foi bem com Salazar lá em baixo. Ele e Paco se entenderam um pouco, ainda não estão totalmente de bem, mas pelo menos um pouco de paz tiveram.

Acenei com a cabeça, me sentindo um pouco melhor com essa informação.

–Ainda tem algo te incomodando. O que é?

–As pessoas me olham como se eu fosse uma espécie de ser de inteligência superior, que eles não podem negar nada. Eu não sou nada melhor do que eles, eu lutei ao lado deles como igual, eu não fiz nada que eles não tenham feito. Isso me incomoda. Paco sempre foi descontraído, sempre me diverti com ele, mas lá em baixo ele estava agindo como um soldado recebendo ordens.

–Quando você viu Hugh pela primeira vez, o que você sentiu?

–Bem, foi estranho. Apesar de nunca tê-lo visto, eu achei que deveria acreditar e seguir tudo que ele falasse. Mesmo depois de sentir raiva dele, odiá-lo, confesso que foi difícil lutar com ele hoje.

–Não são todos de nós que conseguem lidar bem com isso. O que você sentia por ele agora as pessoas sentem por você. Infelizmente, não há nada que você possa fazer para se livrar disso, mas acho que a gente acaba se acostumando. É o que eu espero. – Ele disse se levantando. – Agora, que tal um pouquinho de música?

Olhei ao redor tentando entender o que ele quis dizer com isso, e só descobri quando vi um piano encostado no fundo da sala.

–Você toca piano?

–Desde criança. Minha mãe nasceu na cidade e só foi para o campo quando se casou com meu pai, e ela sabia. Me ensinou, fui o único dos três que quis aprender. Saía da lavoura, tomava um banho e me sentava com ela por horas em um. – Ele sorriu com a lembrança, levantou a tampa e passou a mão delicadamente sobre as teclas.

Se sentou, mas não começou a tocar imediatamente. Analisou mais um pouco as teclas, como se observa-las fosse a coisa mais interessante do mundo. Então ele teatralmente remexeu os ombros, posicionou as mãos e começou. Nunca, em nenhum momento da minha vida, eu havia ouvido algo tão harmônico. A melodia, totalmente desconhecida para mim, causava uma sensação mista, algo entre paz e saudade. Era de uma graça singular, e em certos trechos chegava a me deixar sem fôlego. Ele parecia estar em outro mundo enquanto tocava, alheio à qualquer coisa que se passasse ao redor. Quando terminou, eu fiquei simplesmente parada na cadeira onde estava.

–O que foi isso? – Perguntei impressionada, e ele sorriu.

–Se chama Eternità. Depois que eu fui transformado, achei um piano perdido em um lugar abandonado. Estava desafinado, mas serviu. Eu estava perturbado com a transformação e quando vi, tinha a composto. Dei esse nome, “eternidade”, porque era justamente o que eu iria viver.

–É linda. – Falei simplesmente. No início eu achava que não combinava nem um pouco com ele, mas depois daquilo ele pareceu feito para tocar aquilo.

–Vamos, sente-se aqui. – Ele escorregou para o lado do banco, deixando espaço para mim.

Não entendendo muito bem, obedeci, e ele começou a me explicar coisas básicas sobre o piano. Eu não tocava nada, tudo que haviam me ensinado quando era humana era a fazer tricô, dar ordens em empregados e, o que foi pura sorte, ler e escrever. Ouvi pacientemente enquanto ele explicava mais pacientemente, até que ele passou para as notas. Depois que eu tinha entendido tudo, ele passou para a seqüência da música. Depois ele insistiu que eu tentasse.

–Não tão forte, tecle mais suavemente. – Ele pegou minha mão e me fez teclar como ele queria. Minha atenção ficou dividida, mas eu acho que havia entendido.

Depois de algumas horas, eu sabia a música inteira, mas não chegava nem aos pés dele tocando. Ele olhou para a frente, através de uma grande janela que tinha ali, e eu o acompanhei. O Sol fraco do inverno começava a nascer.

–Está quase na hora.

–É. As coisas vão ser diferentes depois disso.

–Elas já são diferentes.

–Paco disse a mesma coisa ontem.

–Ele estava certo. – Fez uma pausa antes de continuar. – Antes que eu me esqueça, feliz aniversário.

–Quê?

–Feliz aniversário. Hoje é vinte e sete de Janeiro, seu aniversário.

–Como você sabe? – Perguntei assustada, e ele sorriu um pouco demais.

–Eu já era vampiro quando você nasceu.

–Isso não explica.

–Bem – ele disse, se virando para mim. – Você nasceu há cinqüenta e dois anos no centro de Londres, em um quarto com pintura branca e azul, seu berço era de madeira envernizada e uns pequenos detalhes em ouro, que seu pai fez questão de mostrar para todo mundo.

–Você está começando a me deixar com medo. – Eu disse, brincando, mas a curiosidade estava me corroia.

–Há 52 anos eu comecei a ter visões dessa criança que eu descrevi agora. Nunca entendi porque. Só sei que eu também vi todos os castigos que sua mãe aplicava e fiquei com raiva. Vi seu pai te obrigando a casar e foi o sentimento mais estranho que eu tive. E o mais claro de todos, mas que eu nunca cheguei a ver completo: você fugindo de casa. Eu vi você correndo com o cavalo, mas aí sumiu e eu só consegui ver de novo quando aqueles vampiros te atacaram. Depois disso ficou fácil, eu via você aleatoriamente, andando pra lá e pra cá, depois com um grandalhão, aprendendo a controlar seu poder. Eu nunca entendi porque eu via isso, mas aos poucos eu fui descobrindo o seu nome, quem você era, e várias coisas. Até que eu vi você chegando nos arredores da Capital e sem pensar duas vezes corri para lá.

Não saber o que fazer ou falar seria pouco para definir minha ação naquele momento. Eu não me senti invadida, com a privacidade corrompida. Senti um conforto, como se alguém estivesse me vigiando a todo momento, o que era ridículo, porque ele só vigiava e não podia fazer nada. Ele conhecia a minha vida toda, por isso estava lá fora quando eu cheguei, me incluiu rapidamente em seu meio social e me tratou tão bem. Eu encarava ele séria, e senti uma característica de hesitação no olhar dele.

–Eu não controlava, simplesmente acontecia, eu...

–Não, não precisa explicar. – Eu disse, agora sorrindo. Depois voltei a mirar o Sol. – O destino é estranho. Então você me viu nascer?

–Vi.

–Isso soa mal.

–E o que não soa mal para nós? – Ele disse, rindo.

–Verdade. – Concordei, rindo também.

–Acho que está na hora. – Ele disse, voltando a ficar sério e se levantando.

Nos encontramos com os outros e fomos para a mesma sacada que Hugh havia se pronunciado meses atrás. A multidão que estava lá embaixo era enorme, eu nem sabia que havia tanta gente assim. Vampiro a perder de vista. Não havia mais conflito, parecia que tudo estava em paz novamente na cidade. Andreas respirou fundo, chegou mais perto do beiral e começou. Falou muito melhor do que falara antes da batalha. Agora sua voz era confiante e clara e, aos poucos, explicou o fim da Capital, que todos estavam livres e como seria a Lei. Eu não poderia ter pedido discurso melhor. Aplausos soaram da multidão, enquanto alguns já começavam a tornar o que antes era a Capital em ruínas. Em breve seria o palácio, mas nos permitimos uma última olhada neles. O nosso povo. Não sabíamos o quanto duraria nosso governo, mas estava presente no olhar dos cinco membros do clã um desejo de que aqueles lá em baixo tivessem toda a segurança do mundo. E é nisso que nossos problemas começaram.





I still remember the world from the eyes of a child. Slowly those feelings were clouded by what I know now...
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Henrique S.C
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   Dom Jun 03, 2012 7:43 am

Bem legal esse capitulo, adorei
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MensagemAssunto: Re: Giuliet Volturi - Dark Side of the Earth   

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